O TAPA...

O TAPA é um instrumento de manifestação do pensamento original independente. Um meio de comunicação que inspira o desenvolvimento de um intelecto pessoal, respeita a individualidade e a liberdade de expressão.

Pretende funcionar como a "Academia Olimpia" do mundo virtual, um espaço aberto para debates, exposição de idéias seja dos modos convecionais ou extraordinários, de acordo com a imaginação e o desejo de liberdade de cada um.

Se houvesse participações (fora a minha própria) este blog seria um organismo vivo.


Palavras se transformam em poesia, poesia em música, musica em dança, dança em arte, arte em filosofia filosofia em fotografia, fotografia em video, video em vida, vida em alma e assim nossa expressão. LIZ



domingo, 14 de junho de 2009

O dia que fui mais feliz


Vem sentir então, seus beijos, seus cabelos entre as minhas mãos

Sumiu a dor no peito, o ar ficou leve então, sem razão

Me entrego a paixão, deixo a solidão


Se esqueça então, se leve por meus versos mesmo que clichê ou não

Sem se importar então, carregue os meus versos mesmo que clichê ou não


Senti um peso leve, como a fragata sobre o mar azul

Quando tirei-os o sol era tão brilhante que voltei a ver as cores mais lindas

que sempre lá estão


Inquieta então, tão inquieta uma canção escuto, depois de ter sido surda por um mês

Depois de a voz ter calado quero cantar mais uma vez

mas não qualquer canção


Preciso de algo novo, diferente 

Como o ar mais fresco e a luz mais clara que inspirei hoje

Como um gosto de picolé gelado na lingua quente e seca, ou uma torrente de águas de um verão, que derrepente deixa teu vestido branco transparente, no meio da rua ao meio dia.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

Estrela favorita

Gostosa, a mulata deve ser boa, 

quem me dera ter coragem de um dia experimentar

pois quem já teve não quer largar

melhor ainda se pudesse ela ser,

e todos quantos quisessem se deliciar no meu prazer


Que segredos ela esconde

debaixo de sua pele lustra?

reflete tudo 


Seus olhos no escuro, as mais brilhantes estrelas no luar, ou do mar

pensando em tí posso me inspirar, por que és tão bela


E seu penteado, sua nuca

e curva após curva

que mulata linda

será que tem gosto de cacau

ou será de café

será ela inteligente

doce ou divertida,

ou só bonita como um vaso com vida


Não dance ou cante querida

contigo já não posso, 

seria covardia que tú não precisas

tens de todos dado toda atenção merecida

continua tua vida, 

longa vida a tua jovem

da pele escura, que nunca há de envelhecer

seus anos só a farão mais consistente e bonita

eu posso ao menos louvar-te querida

és a melhor de todas, a favorita.  

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Espiral do Silêncio

Neste mundo há dois tipos de pessoas, as que falam quando deveriam calar, e as que calam quando deveriam falar. 

Claro que dentre nós todos há muitos outros tipos, mas estes praticamente dividem a humanidade em dois grupos, a maioria e a minoria que é cada vez menor. (novamente venho dizer que é sábio quem cala)

Não faz muito tempo que descobri, pra mim isso ainda é novidade, mas é algo tão precioso que explica alguns comportamentos que antes não entendia. 

Há um sentimento muito peculiar no secreto. Não aquele segredo que tem que ser segredo, que você realmente não pode revelar a ninguém por ser muito pessoal, velado, vergonhoso, que  temos medo que alguém um dia o descubra. Mas no segredo que não era pra ser um. Um fato qualquer que você decide então no exato momento de revelar fazer dele um segredo. Você até gostaria ou tem vontade de conta-lo, mas sei lá por qual motivo você não conta. Talvez só pra testar seu auto controle e você consegue, ou fazer os outros de besta, que você também consegue. Em vezes até mesmo em uma situação que você deveria contar, mas você se cala, omite. 

Um sentimento clandestino, artificial, toma conta da sua mente. Uma adrenalina incrívelmente real, um distinto prazer. E você ri suavemente, mais suave do que você gostaria, quase prende sua respiração e depois, respira fundo delicadamente e estampa um sorriso culpado e um olhar malicioso no rosto, mas inocente para os outros. Que pecado!

Menos peculiar e discreto é o prazer daquele que fala tudo nos mínimos detalhes e emoções, que tagarela para reviver os sentimentos contido nos fatos mais uma vez, e quantas vezes ainda for preciso e o satisfizer. 

É o paradoxo entre o saber que deveria calar-se, e o saber que deveria falar. Num primeiro caso quebrar a regra é mais prazeroso, o ato de falar, falar, e os outros te escutarem. Mas no outro caso, nada paga saber que só você sabe que sabe, mesmo que os outro tinham ou não direito de saber. 

Este paradoxo contudo tem o prazer em comum.

Todos nós gostamos de sentir prazer, buscamos dia após dia, toda hora, de várias formas, neste caso um poderia ser obtido dissimuladamente e o outro deliberadamente descuidado?

Lembrei-me de uma amiga, (aliás lembrei-me de várias, não tão amigas) que quando nas conversas fala sempre desinibida, e impessoal ao mesmo tempo que partidária. Admiro sua eloquência e postura, mas principalmente o controle e a dissimulação, escondidos atrás do sorrisinho, a piscada longa dos olhos que os desviam do alvo e o som que a voz faz antes de estrategicamente desviar a atenção dos outros e sutilmente mudar de assunto. Enquanto isso, assiste os outros contando suas trapalhadas e não diz nada, não julga, não concorda, não demonstra nenhum sentimento, só acha graça. Mas por dentro tá ardendo, pegando fogo, rachando de gargalhar freneticamente como uma hiena de desenho animado. Porque alí dentro ela pode, e não só uma vez como todas, ela pode multiplicar suas rizadas e seu prazer no seu universo secreto, o que para os outros são um ou dois motivos de riso, pra ela são incontáveis, e ainda por cima o mérito de conseguir não dar a mínima importância para a opinião dos outros e reviver egoísticamente como assistindo um filme em sua cabeça e continuar com o olhar mais sonso e vão.

Imagino se são todos fazem isso de vez em quando ou são só certas pessoas?

Ainda envolvida pelas teorias da comunicação reflito sobre a espiral do silêncio, questão que tragicamente errei na prova para ingresso no curso de comunicação social da UFES. 

A teoria de Noelle-Newman descrevia que a hipótese de pensar como a minoria ou ser ridicularizado, desprezado, pela maioria, o medo concreto da solidão faz as pessoas aderirem a opinião da maioria. Ou seja, nós todos buscamos ser amados, apreciados em ordem de não ficarmos sozinhos. 

A ideia de estar sozinho aterroriza qualquer ser humano, por isso muitos preferem não expressar sua verdadeira opinião, e sim ser uma "maria vai com as outras", porque a maria vai, e vai com as outras, ela não fica sozinha, e este é o mais importante para todos. 

Como os humanos são controversos, é um universo riquíssimo, que nem vale a pena se estudar. É infinito em suas peculiaridades de casos. A busca pelo prazer e a segurança que depende do ser se tornar nulo perante os outros, contra um outro que de tão auto-suficiente, ao contrario, anula todos em prol do seu bel prazer!


Muito importante seja em qual for o contexto, é o que uma amiga me disse ontem:  "Você não deve dar ouvidos a certas pessoas". Mas, mais importante ainda é o que outra amiga me disse hoje: "Você não deve falar certas coisas pra ninguém, só pra mim."

E agora o resultado dessa reflexão toda é:  Seja por prazer ou proteção as palavras hoje são ouro, e muita gente gosta de funk, ou seja é melhor ficar calado. Tudo de importante já foi dito, ninguém entendeu, quem entendeu fingiu que não ou preferiu não pensar, é melhor ser mudo, ou dissimulo.

Vida de aprendiz...

Quem espera, se cansa.

o monólogo


o monólogo


um homem tocando piano

um cachorro escutando

minhas opniões não importam

porquê continuo as dando


mais paciencia

serei só ouvidos

chega de ser o dono da verdade

chega de morais e juízos


cale a boca e saia

eu não sou um canalha 

estou farto

deixe-me apenas ficar aqui, 

quieto