O TAPA...

O TAPA é um instrumento de manifestação do pensamento original independente. Um meio de comunicação que inspira o desenvolvimento de um intelecto pessoal, respeita a individualidade e a liberdade de expressão.

Pretende funcionar como a "Academia Olimpia" do mundo virtual, um espaço aberto para debates, exposição de idéias seja dos modos convecionais ou extraordinários, de acordo com a imaginação e o desejo de liberdade de cada um.

Se houvesse participações (fora a minha própria) este blog seria um organismo vivo.


Palavras se transformam em poesia, poesia em música, musica em dança, dança em arte, arte em filosofia filosofia em fotografia, fotografia em video, video em vida, vida em alma e assim nossa expressão. LIZ



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sobre plurifacéticos.

Penso que as opções ilimitadas globalizadas combinadas a versatilidade das pessoas plurifacéticas, torna o que seria considerado no século passado um dom, uma maldição a junventude de nossos dias.

Como decidir o caminho a trilhar quando há tantas opções? Quando fiz esta pergunta a um senhor ele me respondeu: “Não sei. Quando me formei no ensino médio estourou a Guerra do Vietnã, eu tinha duas opções, me alistar, enfrentar as trincheiras e morrer pelo meu país ou me casar e trabalhar como professor. Eu era e sou contra a guerra e assim minha família o que facilitou a decisão; então me casei e trabalhei como professor de Educação Fisica. Continuo casado e sou professor de Educação Fisica até hoje, há cinquenta anos”.
Seu filho, um desses jovens prodígios, bom em todas atividades, jogador de futebol, campeão nos esquis, poliglota, músico e escritor, ao contrário de seus pais, ao se formar no ensino médio, graças a eles e a globalização, teve oportunidade de viajar pelo continente americano e Europeu onde recebeu diferentes estímulos e vivenciara que havia oportunidades para ele não só no seu país, mas no mundo inteiro. Agora com tantas opções se via ao mesmo tempo que perdido, acomodado, conformado, insatisfeito e sem rumo.
Não queria compromissos pois o prendia, o tirava sua capacidade de ir e vir de onde estivesse para onde quizesse a qualquer momento. Não se dedicava a uma só coisa exclusivamente pois havia tantas outras a que podia se dedicar e até ser excelente em todas.
As possibilidades inesgotavéis geram o medo constante de estar perdendo algo em algum aspecto de sua vida, e ao mesmo tempo o sentimento de não ter nada que o satisfaça, que o prenda, que até acredite, tornando-o escravo de suas proprias potêcias, num eterno ciclo onde querer, conseguir, não querer mais e querer outra coisa, ocupam sua vida sem foco, o deixa a pensar com pouco estima em tudo que podia ser, e não foi.
A maioria dos meus amigos, são poucos posso contar nos dedos das mão, vivem algo semelhante a este sentimento de insatisfação, de não conseguirem construir, pois estão presos em uma eterna busca. Uns até já se acupam de alguma atividade, mas não estão satisfeitos não fazem o que gostam. Outros não tiveram tantas opções, ou os pais de alguma forma os influênciaram, mas ao mesmo tempo sabem que há tanta lá fora esperando por eles e se pudessem, ou na primeira oportunidade que tiverem largam tudo, para também descobrir.
Ao mesmo tempo que essa ânsia os consome as obrigações, os costumes e valores do século passado os cobra, são pais querendo uma posição deles na sociedade, é a sociedade cobrando, são eles mesmos. Costumes como construir uma família, estabilidade, laços de amizade se tornam impossíveis de se manter, sendo que se tem que abrir mão constantemente para viver seus sonhos, ser alguem, se satisfazer.
Mas onde quero chegar com essa discussão? Uma boa pergunta pra nós mesmos.
O que é prioridade? Quando quase tudo se banalizou, tudo são é por quinze minutos de fama que for, tudo é mutavél a todo momento, se não estou satisfeito homem, tenho a opção de ser mulher, tudo é “encaravel”, tudo pode ser acabado, tudo é possível.
Será que os pesquisadores de mídia, os políticos, os educadores, alguem previa este resultado no século passado? Ou será este o efeito colateral, de novo, do tão batido e surrado capitalismo desenfreado, ou do bom e velho imperialismo americano.
Será que todas essas possibilidades e ter o mundo em nossas mãos é saudavél, ou precisamos de espaços delimitados? Precisamos de ser melhor orientados, ou quem sabe mais incentivados a satisfação de construir.
Ou talves, se o caminho a perseguir é a busca, perguntar o que busco? Porque? E o que vou fazer com essa busca? Quero encontrar ou só procurar por procurar?