O TAPA...

O TAPA é um instrumento de manifestação do pensamento original independente. Um meio de comunicação que inspira o desenvolvimento de um intelecto pessoal, respeita a individualidade e a liberdade de expressão.

Pretende funcionar como a "Academia Olimpia" do mundo virtual, um espaço aberto para debates, exposição de idéias seja dos modos convecionais ou extraordinários, de acordo com a imaginação e o desejo de liberdade de cada um.

Se houvesse participações (fora a minha própria) este blog seria um organismo vivo.


Palavras se transformam em poesia, poesia em música, musica em dança, dança em arte, arte em filosofia filosofia em fotografia, fotografia em video, video em vida, vida em alma e assim nossa expressão. LIZ



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Um Dia de Entrega

Me abandono, krig-ha bandolô
Me deixo vadiar
Como boa capoeirista que sou
Saio pelas esquinas a cantar
A procura de um som
Que pudesse me encantar

Som, são os carros que passam por mim
E as buzinas tão irritantes que não me deixam dormir
Ou que não me permitem ouvir o som
Que vem de dentro de mim
Mesmo assim eu busco
Da janela do quarto azul
A cantar no seu ritmo de coração de blues

Vem preencher o vácuo
O brilho nos olhos que esqueci em algum papel
Amassado jogado dentro da lata de lixo
Vem me trazer a mensagem de Deus
Que há de despertar a esperança e a fé 
Atravez do riso daquela criança
Que eu queria ter em mim

Achei o que eu por tantas esquinas procurei
Que em tantos versos nunca sei
A incessante busca só começou
A jornada é longa
E pra que serve o calor
Que trago dentro do pulmão esquerdo
Queimam labaredas indesejadas que permeiam com a traça
Que ivadem com furor

Meu cheiro deixo como o açucar com orvalho para o beijo flor
Que ao buscar na rosa não tirou o ardor
E que de tanta sede ao pote se refrestelou
Quero e não disfarço meu finito amor
Precisando do seu cheiro em meu cobertor
Sinto o frio derradeiro que você deixou

Agora restam as mágoas
As preces inacabadas
As fortes trovoadas, o céu a despencar
Pra nas minhas mágoas alguem se afogar
E quando o sol nascer, minha alma derreter
E as pequenas folhas hão de brotar
Formando o verde mais formoso sob a luz do luar

É toda a beleza que hás de escutar
Maior que a grandeza de todo esperar
E encontro-o mais perto do que o procurar
Que todo este tempo sempre esteve lá
E você não viu.
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Descobrindo Gonzaguinha

É Preciso

Gonzaginha

Minha mãe no tanque 
lavando roupa
minha mãe na cozinha
lavando louça

lavando louça,
lavando roupa,
levando a luta, cantando um fog

alegrando a labuta
labutar é preciso menino
lutar é preciso menino
lutar é preciso

a bola correndo nas pedras redondas da rua São Carlos 
deságua no asfaltodo largo do estácio 
e o menino atrás, ó lá
meu menino atrás e vai 
mais um menino atrás

ô Dina é preciso
olhar essa vida,
além desse filme do cine colombo,
saber dessa lama na festa do mangue

conhecer a fama que cantam da dama,
pois ela com jeito e carinho me chama
me leva à luta sem choro nem grama

né mãe?
labutar é preciso
ô mãe,
lutar é preciso

os tribo dos montes que cruzam no largo
trilhando avenidas, ruelas e becos
me deixam na lapa ou na galeria
ou no cafetania e é lá que eu encontro 
papinho no ponto e volto pra casa
com ele cansado, com pouco trocado

violão calado
violão calado
violão cansado, calado, cansado

ê mãe,
labutar é preciso
né mãe?
lutar é preciso
ô mãe, 
lutar é preciso

mas mãe não se zangue que as mãos eu não sujo,
apenas eu quis conhecer a cidade,
saber da alegria e da felicidade 
que vendem barato em qualquer quitanda,
mas volto arrasado tá tudo fechado,
talvez haja falta não há no mercado
e hoje ô Dina nem é feriado
e hoje ê Dina não é feriado

vê mãe labutar é preciso
lutar é preciso
ô mãe lutar é preciso
labutar é preciso


Aos 27 anos conhecer Gonzaguinha? só posso dizer: Prazer! ...antes tarde do que nunca..., pra melhorar um pouco prefiro a premissa de que tudo tem seu tempo certo, e o meu tempo chegou. 

Gonzaguinha aqui estou, prazer em conhecer o senhor. Desculpe, você. Sei que é um pouco tarde, mas tenho enorme admiração pelo seu trabalho e sua pessoa. Compartilho das mesmas indagações e realizo revoluções, mesmo que em meu cabelo ou quintal. Há algo que me une a tí. Não sei se é o ideal ou só minha admiração, mas se for real, mesmo que só signo tenhamos em comum, que seja o responsavél, virgem. O pouco que descobri em minhas pesquisas me encantou, é realmente uma pena para nós brasileiros que tenhas partido tão cedo, o que não me espanta nenhum pouco. Também sei ser romântica, e mesmo que essa já esteja batida, sei que esta com Deus lhe proporcionando uma performance exclusiva arrasadora, afinal de contas ele leva os melhores pra junto de sí mais cedo. Mas não se preocupe, o seu legado permanece, e sua voz ou poesia os seguidores, mesmo que tardios a agradecem e levaram a cantar sua canção. 

Obrigada por fazer parte do intelecto da iluminação, cada um com sua história e a sua com certeza não foi em vão. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

ABRAcaDAbra


cabra cabra cabra branca, teu chifre longo, tua manta 

cabra cabra cabra amiga, tua espingarda, minha ferida

cabra cabra cabra alegre, tua escada, minha lebre       

cabra cabra cabra antiga, tua risada, minha guerrilha

cabra cabra cabra quente, tua barba, minha gente

cabra cabra colorida, haja dor pra tua teta

cabra cabra cabra manca, está torta tuas costas

cabra cabra cabra avante, bem depressa vem distante 

cabra cabra cabra dura, já afundou minha armadura

cabra cabra cabra vaia, quanto vale o teu leite

cabra cabra cabra cega, já dizia Seu poeta

cabra cabra cabra solta, jamais saia de trás da moita

cabra cabra cabra louca, mais tardia do que pouca

cabra cabra cabra cheira, seu perfume me norteia

cabra cabra cabra gente, da-lhe o alcool, vai pra frente.