Oh Orfeu, cor do carvão.
Quem dera meu seio só, penetrar,
Perder-me entre o preto dos teus olhos e tuas entranhas palpar,
Me embrenhar na mata dos teus cachos caboclos, e dançar,
Até cair a noite a clarear. Nas cantigas da tua infância ninar,
Rebolar e sangrar teus versos em minhas coxas,
Em minhas veias a circular, teu cheiro ofegar a tua carcaça inconfundível,
Me perder, deslumbrar, implorar seu fôlego de bicho selvagem no cio,
Dá cria no meu ventre dos seus orixás.
Você me inspira, aspira, me acorda, me toca,
com a boca me alivia e asfixia, me ilumina e movimenta, me gira,
em tua batida, teu ritmo de guerra e euforia, eu o faria como quisesse, se me queresse um dia.
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